sábado, 12 de abril de 2008

Uma Vida Atrás das Grades

António Ferreira tem 63 anos de idade, dos quais 42 deles passou atrás das grades. Conhece a podridão destas instituições como ninguém desde 1958 para cá. Está ligado como acusador a vários processos de morte de reclusos e violação dos direitos humanos com o envolvimento de funcionários da segurança.

Vale a pena visitar o site dedicado a este homem que "é considerado pela Direcção Geral dos Serviços Prisionais um dos presos mais perigosos de Portugal.

Perigoso porque não se deixa degradar pelo sistema;

perigoso porque defende a sua dignidade;

perigoso porque jamais se deixou amordaçar;

perigoso porque é uma voz destemida em confronto aberto e directo e, por isso, incomoda para o sistema;

perigoso porque é solidário com os seus companheiros de cárcere em luta contra o sistema, sempre em primeira linha, em todas as prisões que o têm forçado a percorrer;

perigoso porque corajosamente denuncia as violações dos direitos humanos e corrupções por parte dos funcionários prisionais.

Por ter uma conduta irrepreensível no sentido da salvaguarda da dignidade do indivíduo, tem sido alvo de feroz perseguição por parte do sistema, sofrendo constantemente terríveis castigos e ameaças de morte além de várias tentativas de assassinato."

Cada vez mais esta justiça portuguesa me revolta. Muito célere a condenar uns(os que não têm dinheiro) e a libertar outros (aqueles que têm dinheiro, os de colarinho branco). "Um exemplo que atesta bem aquilo que afirmo: um recluso actualmente preso, toxicodependente há 30 anos, é encontrado com meia grama de heroína, sofre uma pena relativamente indeterminada, de 4 a 12 anos! O mesmo juiz que lhe aplica esta sentença condena a seguir dois indivíduos a quem foram apreendidas duas toneladas do mesmo tipo de droga - sentença: 4 anos a um e 6 anos a outro! Depois de fazermos a leitura correcta, lógica e clarividente a este exemplo, que ao mesmo tempo constitui um atentado à inteligência humana, que mais explicações serão necessárias para concluir que, ou o relator sofre de alguma morbidez no campo da análise, ou sofre de uma eventual cegueira crónica em relação aquilo que vê no dia-a-dia da sua vivência prisional, ou então - e esta é a verdade irrefutável - este país bateu no fundo e está à beira de um abismo?!"

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