quinta-feira, 17 de abril de 2008

A Taxa de Inflação Não é a Mesma Para Todas as Classes da População

Eugénio Rosa é economista e director do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento, Cooperação e Formação Bento de Jesus Caraça e escreve para vários orgãos de informação.

Num dos seus últimos artigos, para o resistir.info, faz uma análise em que nos mostra como o aumento da taxa de inflação em Portugal tem sido superior ao divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelos órgãos de informação.

E isto porque a estrutura das despesas das famílias portuguesas que o INE tem utilizado no Índice de Preços no Consumidor, que era a de 2000, estava desactualizada pois já não correspondia à realidade.

Não é minha intenção reproduzir todo o estudo efectuado pelo Eugénio Rosa, retiro apenas uma das frases que me chamou a atenção:

"A análise feita revela também uma outra realidade que interessa chamar já a atenção. A taxa de inflação não é a mesma para todas as classes da população, porque o chamado Índice de Preços no Consumidor de cada classe social depende do peso dos bens e serviços que mais consome.

Para tornar tudo isto mais claro imagine-se o seguinte exemplo. Uma família em que uma parte muito significativa do seu orçamento mensal é utilizada para pagar as despesas com a habitação incluindo os gastos com ela relacionados como são água, gás e electricidade, etc. (por ex., 40%).

Se os preços com as despesas com habitação estão a aumentar muito como sucede em Portugal (ex. encargos com o empréstimo para aquisição da habitação), então a "taxa de inflação" para esta família será muito superior à de uma família em que as despesas com a habitação têm um peso no orçamento familiar muito reduzido (ex. 10%).

É por isso que, em vários países europeus, são calculados diversos Índices de Preços no Consumidor. Por ex., em França o organismo oficial de estatística, para além do Índice de Preços no Consumidor geral, publica também um Índice de Preços adaptado aos reformados.

Em Portugal, devido ao peso crescente dos reformados e aposentado na população total, seria de toda a conveniência que o INE passasse a divulgar também um índice semelhante.

A questão que se coloca é esta :

- Será que o governo estará interessado nisso?

– A resposta é, a nosso ver, a seguinte:

Certamente que não. "

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