quinta-feira, 6 de março de 2008

Diário Rasgado

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Marco Mendes é o autor do Diário Rasgado, um blog de banda desenhada de onde retirei esta prancha da autoria dele, e pertence também à equipa d' A Mula um outro blog que fala de fanzines e tudo o que seja relacionado com BD.

Nas palavras de Lígia Paz, Marco Mendes é "auto-centrado e contemplativo-romântico, decadente e alegre, minucioso e javardo, a sensibilidade do Marco revela contradições e complexidades, as quais ganham sentido e naturalidade ao longo do seu trabalho. Desta forma, ao virtuosismo técnico somam-se as rasuras e emendas, à melancolia junta-se a pornografia, à representação do mundo real une-se o absurdo e o ficcionado. A um lado negro, nostálgico, angustiado ou por vezes solitário, acresce um humor por vezes inverosímil, outras mórbido.

Em toda a crueza do seu realismo social, sem artifícios ou auto-complacências, as representações e retratos dos que lhe são mais próximos são também um testemunho geracional e de época. É também notória a existência de um sentimento de partilha, de identidade e de pertença – a um país, com as suas contrariedades e cultura; e a uma comunidade, unida pela partilha de valores, de experiências, e de cerveja a oitenta cêntimos.

As características do trabalho podem, ou não, ser catalogadas em diferentes tipos de abordagem. No “desenho à vista”, os planos são prolongados e os enquadramentos inusitados; surge com alguma frequência um sentimento de tranquilidade nostálgica, atento a pequenos detalhes e a facetas várias da vida quotidiana. Há uma preocupação em capturar o ritmo fluído das palavras e acontecimentos, num texto contínuo e frequentemente corrigido, riscado, e deixado estar como se a borracha não existisse.

Já no trabalho de banda desenhada (e de “banda desenhada à vista”, em tempo real) são exploradas as possibilidades rítmicas inerentes ao formato, sendo o desenho frequentemente mais explosivo, emotivo, e surpreendentemente cómico. É sobretudo neste registo que os indivíduos retratados mais se distanciam das suas personagens ficcionadas. Nesta pseudo-realidade criada pelo punho do autor, atravessam o espectro do melhor e do pior que todos encerramos - o absurdo, o lado negro, o prazer, a alegria, o falhanço e as limitações sexuais; os nossos gostos, fragilidades, perversidades e manias. As interpretações e reflexões sobre a realidade ganham contornos mais críticos e políticos, e a sátira ganha destaque."

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