quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Uma Pequena Estória do Intruja Soares

Há algum tempo atrás falei de algumas das intrujisses da famiglia Soares ao longo da história de Portugal. E hoje trago mais um artigo desta vez escrito em "O Depoimento", pelo próprio Marcello Caetano, que foi retirado de um comentário feito pelo Camilo a um post do blog de José Maria Martins datado de 22 de setembro de 2007 com o titulo "O Código de Processo Penal e o Partido Socialista - Partido de duas caras".
Vale a pena visitar o blog e ler o que este advogado tem para nos contar acerca da máfia que anda nos corredores do poder.

"...Havia, porém, dois casos que eram motivo de comentário:o exílio do bispo do Porto e a deportação para S. Tomé do advogado Mário Soares.O caso do bispo exigia exame cuidadoso e até negociações que só meses mais tarde conduziram à sua reintegração na diocese.Quanto ao advogado Mário Soares, a deportação resultara de se ter apurado que, aproveitando-se das suas relações no estrangeiro, provocara uma campanha caluniosa contra membros do governo português.Era um caso mais fácil de resolver. A deportação fora ordenada sem limitação de tempo.Levei, pois, o processo a um dos primeiros Conselhos de Ministros a que presidi -era o orgão competente para a aplicação da medida- e propus que se fixasse um ano a duração da sanção.Esta expiraria, desse modo, dentro de um ou dois meses.Assim se deliberou. Mas, entretanto, o Dr. Soares, ao tomar conhecimento da resolução, pediu, por intermédio do governador de S. Tomé e Príncipe, que era o Coronel Silva Sebastião, que o deixasse vir um tempo antes de modo a poder assistir à comemoração dos 90 anos de seu pai, o Prof. João Soares.Assumi a responsabilidade de aceder prontamente ao pedido e ficou combinado que, para não dar nas vistas esta infracção de uma deliberação recém-tomada, a viagem de regresso se fizesse discretamente, sem anúncio prévio, sequer, à família.Não posso afirmá-lo, porque estou longe dos documentos, mas parece-me que a proposta para se proceder assim veio do próprio peticionário.Por isso, e não por qualquer outra razão, (Mário Soares) chegou de surpresa a casa.Dias depois, o Dr. João Soares, que era homem de outros tempos, escrevia-me a agradecer a alegria que eu lhe proporcionara com a presença do filho no dia do seu aniversário.E não tardou a generalizar-se a notícia da presença em Lisboa, e em liberdade, do advogado em questão, que pleitou livremente as eleições de 1969 e continuou depois a exercer a advocacia, profissional e politicamente apagado como sempre.Resolveu então, fazer uma tournée por vários países, de propaganda contra a defesa do Ultramar português, em termos que indignaram a opinião pública em Portugal."

In "O Depoimento"-Prof. Marcello Caetano.

1 comentário:

Sovania disse...

Eu não vou em originalidade, mas o seu blog é tão bom que você não pode dizer outra coisa senão OBRIGADO!

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