sábado, 29 de setembro de 2007

Maçã com Bicho (acho eu da praxe)

Estamos no inicio do ano lectivo e com ele iniciam-se as praxes em quase todas as universidades. Como não podia deixar a minha é uma das que pratica esse tipo de comissão de boas vindas e acolhimento aos caloiros, sinceramente não gosto, não participo e 'tou-me a cagar p'ra essa merda, acho que há muitas outras formas de receber quem entra pela primeira vez, ou para quem entra de novo,sem ser essa. Num estabelecimento que queremos (?) que seja um espaço de livre pensamento, de trocas e partilhas de ideias, de crescimento pessoal não vejo qual a razão para a maioria seguir a carneirada e deixar-se levar para a humilhação, aliás saber até sei mas não me apetece desancar nos governos que temos tido e nas suas politicas de estupidificação dos alunos.

O Sérgio Godinho respondeu muito bem com a música que se segue:



Maçã com bicho (Acho eu da praxe)
Canção e letra de Sérgio Godinho

O tempo passa
e lembras com saudade
o saudoso tempo da universidade
foste caloiro
e quintanista
já comes caviar
esquece o alpista

P`ra entrar na universidade
é preciso
prender o humor
na gaiola do riso
ter médias altas
hi-hon, ão-ão
zurrar, ladrar
lamber de quatro o chão

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Chamar-se a si mesmo
besta anormal
dá sempre atenuante ao tribunal
é formativo
p`ró estudante
que não quer ser propriamente
um ignorante

Empurrar fósforos com o nariz
tirar à estupidez a bissectriz
eis causas nobres
estruturantes

eis tradição
sem ser o que era dantes

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe

Não vou usar
mais exemplos concretos
é rastejando
que se ascende aos tectos?
Então vejamos
preto no branco
as cores da razão
porque a praxe eu desanco

Mas há quem ache
graça à praxe
É divertida (Hi-hon)
Lição de vida (Ão-ão)
Maçã com bicho
acho eu da praxe
É divertida (Mé-mé)
Lição de vida (Piu-piu)
Maçã com bicho
acho eu da praxe


agradecimentos: Pimenta Negra e Letras em Manifesto.

3 comentários:

Crestfallen disse...

Sou apoiante da praxe, sempre fui e sempre serei. O meu ano de caloiro foi dos mais estúpidos e violentos de sempre, onde houve uma morte de um caloiro e uma violação. Mas isso não é praxe é crime.

A praxe é algo que podemos gostar ou não gostar, mas o meu pai já foi praxado, o meu avô também. Quem é o caloiro ou estudante de esquerda, quem tem o direito de formar movimentos anti-praxe?

Existe um código de praxe. O caloiro pode pegar em 3 euros e comprar um.

A praxe não é obrigatória, um caloiro pode recusar a praxe e não morre por causa disso. O incrível é a hipócrisia que se vê nos dias de hoje, onde alguém que se recusou a ser praxado, aparece tempos depois de traje e muitas vezes a praxar.

Quem não é praxado nem quer ser praxado, está renunciar à tradição académica, essa renuncia inclui o facto de vestir o traje. Há 10 anos isso não acontecia, nem havia todos este movimentos de esquerda contra as praxes.

Existe a praxe e existem crimes, há que saber distinguir.
A praxe de acordo com o código de praxes é a inclusão do caloiro na comunidade.

Fly disse...

"A praxe de acordo com o código de praxes é a inclusão do caloiro na comunidade."

Ora aqui está, e é a forma como isso é feito que ponho em causa.
Acho que há outras formas de integrar o caloiro sem ser esta(leia-se humilhação publica).

Mas pronto cada um faz aquilo que quer e acha melhor para si. E nem sempre aquilo que todos os outros fizeram antes de mim é bom para mim.

abraço

Crestfallen disse...

Mas a praxe não tem de ser necessáriamente humilhação pública. O código de praxe indica saídas a muitas praxes. A lei também deve ser tomada em consideração. O que seria de Coimbra sem a tradição. Acabar com a praxe académica seria acabar com o último bastião da tradição académica, que neste momento é Coimbra.

Eu sempre fui um forte contestatário da arrongância dos MATA, Movimentos Anti-Praxe Académica, não pelo facto de serem contra, mas pelo facto de se acharem no direito de mudar só porque não concordam. Eu só respeitaria um movimento MATA, em que eles não vestissem traje académico, aí sim, mereciam respeito. Pois o que vejo é serem parciais na tradição, querem os direitos sem passarem pelos deveres.

Eu passei por praxes duras e ridículas, mas não praxei da mesma maneira, de facto nos últimos anos de curso, usei do poder da antiguidade para acabar com muitas humilhações.

A praxe académica culmina com o baptismo. Qual é o caloiro que não sente o orgulho de vestir o traje pela primeira vez?

A praxe é uma tradição, a sorte é o exército já não ser obrigatório, pois aí é que a praxe é humilhante, no entanto o facto de superar essa fase, dá-nos um orgulho enorme em vestir a farda.

Há tradições importantes, a praxe é uma delas. Dentro dos limites da decência e respeito pelo próximo.