quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Justiça? Onde?

Um agente da PSP colocado na zona de Cascais, perante a “responsabilidade do Ministério Público (MP) em tomar resoluções que deixaram em liberdade um criminoso”, motiva a redacção de uma carta-aberta. Na missiva, o polícia recorda a actividade criminosa do autor da morte do segurança Joel Benedito, a 5 de Agosto, em Lisboa, considerando: “Um homicídio podia ser evitado.”

A missiva, endereçada à Procuradoria-Geral da República, ao procurador do Ministério Público da Comarca de Cascais, e à Direcção Nacional da PSP, começa por recordar que:

  • A 15 de Julho, no bairro do Cabeço de Mouro, em São Domingos de Rana, Cascais, Ricardo Costa apedrejou com violência um homem. A vítima das agressões foi atacada porque tentou impedir que o agressor espancasse a sua própria namorada, que estava grávida.
  • Também a 15 de Julho, uma patrulha da PSP de Trajouce sofreu na pele a violência de Ricardo Costa (o homicida). Em São Domingos de Rana, o indivíduo esfaqueou um agente na barriga, valendo ao polícia o colete antibala que envergava. Face à escassez de agentes, o agressor conseguiu fugir.
  • A 19 de Julho, também em São Domingos de Rana, Ricardo Costa agrediu com uma faca um taxista, que ficou com a marca no pescoço. A vítima identificou-o.
  • No dia 2 deste mês, e sem que existisse ainda um mandado de captura contra o indivíduo, uma patrulha da PSP de Trajouce deteve-o por falta de documentos.

Levado para a esquadra, Ricardo Costa deparou-se com o agente que havia esfaqueado dias antes. O polícia foi novamente agredido, ficando com a mão direita fracturada. O MP de Cascais foi informado da detenção e decretou que Ricardo Costa aguardasse julgamento em liberdade.

  • No mesmo dia, uma brigada da Esquadra de Investigação Criminal da PSP de Cascais voltou a interceptar Ricardo Costa. De novo, o MP de Cascais deliberou que ficasse em liberdade.
  • Três dias depois, Ricardo Costa e dois amigos assassinaram o segurança Joel Benedito, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa.

A morte de Joel de Jesus Custódio Benedito, um segurança privado de 30 anos, impressionou pela violência. Pelas 07h30 de 5 de Agosto, Ricardo Costa e dois amigos entraram no bar-restaurante Caldo Verde, na Avenida 24 de Julho, e começaram de imediato a provocar clientes e funcionários. Joel Benedito interferiu para procurar acalmar Ricardo Costa e, de imediato, foi injuriado e agredido. O segurança optou por sair do estabelecimento, no que foi perseguido pelos três indivíduos. Encurralado no lado oposto da Avenida 24 de Julho, Joel defende-se como pode dos socos e pontapés com que é atingido. A agressão com uma cadeira deita-o por terra. O homicídio é consumado por Ricardo Costa, que atira a cabeça de Joel Benedito, várias vezes, contra o lancil do passeio. O segurança fica com a parte frontal do crânio esmagada. Depois de assassinar Joel, o indivíduo regressa ao ‘Caldo Verde’ para acabar a refeição que estava a tomar.

Para atestar a “inoperância do Ministério Público”, o autor da carta recorda que, a 12 de Agosto, um grupo de quatro jovens foi detido pela PSP de Cascais, suspeitos de vários roubos com coacção no interior de um comboio. Presentes a tribunal, três dos detidos ficaram em prisão preventiva.

in Correio da Manhã

Agora pergunto eu como é que são detidos 3 individuos suspeitos de roubo e não é detido aquele filho de puta violento que até acabou por matar um inocente? Qual é o objectivo destes juízes de merda? Será o de provocar ainda mais insegurança na população para o governo vir com uma solução milagrosa da implantação de medidas de mais controlo da população e de restrição de liberdades?

2 comentários:

G disse...

Os nossos governantes (pelas leis que aprovam) e os juizes pelas penas que aplicam (ou não!) deviam ser responsabilizados por estes acontecimentos.
É sempre preciso "morrer" álguem para que as coisas se decidam/resolvam?!

Fly disse...

Deviam ser responsabilizados e pagar pelos actos que praticam conscientemente ou não. Infelizmente em Portugal a corrupção e impunidade que a classe politica, juizes e afins vivem é de tal forma escandalosa e e está tão entranhada que só mesmo uma revolução do povo, desta vez sem cravos, e matar esta corja toda que nos (des)governa.
Tudo bem que esta pode parecer uma opção muito radical mas ao ver o rumo que vários casos que supostamente estão em julgamento(casa pia, apito dourado, Fátima Felgueiras, etc) estão a tomar , não vejo outra alternativa. De certeza que durante alguns anos isto melhorava um pouco.

O que concluo com estas trapalhadas todas é que o objectivo é desestabilizar e amedrontar a sociedade para que consigam restringir as nossas (já poucas) liberdades mais facilmente.

abraço