terça-feira, 5 de junho de 2007

Manipulação na Imprensa Mundial

Na sequência da noticia do post anterior, resolvi procurar artigos que falassem acerca da manipulação de informação por parte da imprensa mundial. Como não podia deixar de ser socorri-me do resistir.info, onde encontrei coisas muito interessantes que podem ser lidas aqui e aqui e de onde retirei o texto seguinte:



(...) "A manipulação dirige-se ao pensamento, aos sentimentos, às acções (e omissões) de toda e qualquer pessoa. Da esfera íntima até à apresentação pública no trabalho, na escola ou na política, não sobra um único aspecto, uma única dimensão da vida que dela não receba a influência. O objectivo final da manipulação é a obtenção da passividade e da submissão. A manipulação das mentes é uma guerra psicológica planificada, elaborada a partir de conhecimentos científicos, contra o desenvolvimento progressista, isto é, solidário e cooperativo do ser humano ou, o que é a mesma coisa, orientada contra o progresso social.
(...)
Naquilo a que se chama "sociedade de mercado livre", a função da indústria da comunicação, como de qualquer indústria, consiste em gerar lucro, mais ainda, em estimular a sua criação e, sobretudo, em manipular a maioria da população de maneira a que esta não empreenda acções contra o sistema de economia privada, mas antes que o apoie e reforce. A razão de ser da manipulação funda-se nas leis que regem a economia de mercado. Por isso há quem a tenha qualificado como um instrumento de conquista, como o fez Paulo Freire, na sua "Pedagogia do Oprimido". A manipulação, diz o pedagogo brasileiro, é um dos recursos mediante os quais "as elites dominantes tratam de fazer com que as massas se moldem aos seus objectivos". Valendo-se de mitos que explicam, justificam e até adornam as condições existentes de vida, a minoria que dispõe dos media mobiliza-se em favor de uma ordem social que não serve os interesses das maiorias. Uma manipulação bem sucedida fará com que as pessoas não pensem noutros ordenamentos sociais possíveis nem, consequentemente, em alterar os existentes.

(...) Por outras palavras, a função primordial da indústria da comunicação, da consciência, do entretenimento ou como quer que se lhe chame, na sociedade capitalista consiste em desorganizar e desmoralizar os submetidos. Neutraliza os dominados, por um lado, e consolida, por outro, a solidariedade com a classe dominante e com os interesses desta. Ao fim e ao cabo, "os ricos também choram", têm problemas com os seus filhos, etc. Os modelos de conduta que apresentam, baseiam-se no êxito pessoal, no individualismo, no isolamento e na fragmentação social. O colectivo, segundo tal lógica, não conduz a lado algum.

(...) A verdade é que se contam pelos dedos de uma mão as agências internacionais que seleccionam os acontecimentos e as imagens que vemos na maior parte do mundo. O mesmo é válido para a produção de filmes, séries televisivas, livros de texto, etc. Basta recordar a informação sobre a Guerra no Golfo, do princípio dos anos 90, cuja cobertura foi atribuída em exclusivo à cadeia norte-americana CNN (a mesma da manipulação de imagens e informação do post anterior), com os jornalistas devidamente escolhidos e previamente industriados pelos militares do Pentágono. Basta recordar que 95 por cento das imagens difundidas pelos meios de comunicação são fornecidas por uma agência noticiosa dos Estados Unidos ou, ainda, que 90 por cento dos conhecimentos armazenados em bancos de dados de todo o mundo são propriedade privada norte-americana.

(...) Em suma, uns poucos detêm o poder de definir a realidade para a maioria de todos os outros, de dizer-lhes o que se passa, o que é bom e o que é mau, o que se deve ou não fazer e como fazê-lo, etc.

E a história que nos contam costuma ser, quase sempre, a dos outros, não a nossa. Enquanto estamos entretidos a viver as histórias dos outros, não temos tempo para nos interessarmos pelas nossas próprias, isto é, com as histórias da nossa vida. Porque se nos ocupássemos dela, se acerca dela descobríssemos como são bem outros que a determinam e não nós, certamente não ficaríamos de braços cruzados e tentaríamos mudar a figura das coisas.

(...) Lorde Nordcliffe, dono de um dos mais poderosos consórcios jornalísticos dos princípios do século XX disse: "Deus ensinou os homens a ler para que eu possa dizer-lhes quem devem amar, quem devem odiar e o que devem pensar". (Onde se lê Lorde Nordcliffe pode-se ler a comunicação social por este mundo fora que, quer queiramos quer não, é controlada pelos diferentes governos mundiais, que por sua vez pode-se dizer é só um governo , com um único interesse, que é o lucro e a exploração e controle da maioria da população).

(...) O simples método de manipular comunicando tão-somente aquilo que convém implica, por definição, o silenciamento do inconveniente. Os governos, por exemplo, encontram um formidável instrumento de controlo social no silenciamento de informações vitais à população, como ocorreu em Espanha durante a Guerra do Golfo com a questão dos sobrevoos e abastecimentos das tropas norte-americanas.

(...) Quando a verdade não corresponde aos interesses do capital, não se trata de mentir, mas antes de não dizer a verdade. Este método é mais difícil de ser percebido pelos leitores, ouvintes ou telespectadores.

(...) Informa-se de maneira selectiva, mas credível, acerca de fenómenos, pormenores, sem contexto, sem chegar, nunca, à essência do sistema. "

2 comentários:

O Raio disse...

Por razões profissionais já várias vezes estive por dentro de grandes acontecimentos nacionais e mesmo internacionais recebendo informação directa, não manipulada.

Em todos os casos o que lia na Comunicação Social estava muito longe da informação que eu possuia. às vezes até pareceia que se tratavam de acontecimentos diferentes.

G disse...

É dificil que assim não seja, quando a grande parte da comunicação social está nas mãos de um pequenos numero de grupos económicos.
Abraço!