segunda-feira, 18 de junho de 2007

Concurso Base das Lajes

Na semana passada os americanos da base das Lajes lançaram um concurso para postos de trabalho sazonal, em regime de part-time, só aceitando candidaturas de cidadãos norte americanos e de todos os países membros da NATO, excepto Portugal.

É vergonhoso os que esta canalha é capaz de fazer, alem de não rectificarem o acordo com Portugal, para a presença norte americana na base das Lajes, há mais de 7 anos ainda lançam concursos, onde dizem preto no branco, que não aceitam portugueses para trabalhar na base. E o ministro do negócios estrangeiros diz que "é um problema menor". Eu diria mais, isto nem sequer é um problema. Para estes lacaios dos americanos tudo o que for contra os interesses da corja americana isso sim é um problema, e grave, neste caso não se passa nada.

Ler a noticia aqui.

Actualização :

Breve história da base das Lajes:

O primeiro acordo de Defesa entre Portugal e EUA data de 1951, embora os americanos utilizassem os Açores para fins militares desde 1943, beneficiando da cooperação estabelecida entre Churchill e Salazar durante a II Guerra Mundial, que permitiu aos ingleses a fixação no arquipélago.

Segundo o Acordo de 1951, os EUA recebiam autorização para construir e manter instalações militares — nomeadamente pistas de aviação e depósitos de combustível e munições — e para trânsito e paragem dos seus aviões militares. Neste primeiro documento não existia uma única referência a contrapartidas para Portugal, a não ser a formação de pessoal militar português e a realização de exercícios conjuntos. O acordo inicial foi renovado sucessivamente por troca de notas diplomáticas, até 1991, quando se iniciou uma negociação para um novo acordo. Refira-se que durante este tempo, Portugal nunca conseguiu que nos documentos diplomáticos firmados conjuntamente com os EUA tivesse sido consagrada uma referência objectiva a contrapartidas financeiras ou de material militar. Em termos práticos, os apoios concedidos ficaram sempre bastante aquém do estabelecido negocialmente entre os dois Estados. A negociação aberta em 1991 só foi concluída em 1995, depois de várias sessões bilaterais que extravasaram por mais de uma vez a dureza habitual neste tipo de diálogo.

O novo Acordo de Cooperação e Defesa cria uma comissão bilateral permanente, encarregue de encontrar programas de cooperação entre os dois países que, à data, ainda são escassos. Ao longo destes anos, os EUA têm usado, com maior ou menor intensidade, a base das Lajes como um eixo fundamental dos seus planos militares ofensivos e defensivos, quando estão em causa operações em África, na Europa ou no Médio-Oriente. O valor estratégico nuclear da base são os seus enormes depósitos de combustível, paióis de munições, centros de comunicações e intelligence. Isto, escrevendo apenas com base em informação disponível.

O aeroporto das Lajes foi construído sob a supervisão do General Humberto Delgado, que teve um papel decisivo para colocar a base ao serviço dos aliados, depois de muitas hesitações de Salazar quanto à colaboração com os ingleses na defesa do Atlântico Norte contra os ataques dos submarinos nazis. Antes, em 1944, foi construído pelas Forças Armadas norte-americanas um aeródromo na ilha de Santa Maria, servindo de plataforma de passagem de tropas. Durante décadas, a infra-estrutura foi o principal motor económico da ilha, já que representava uma escala obrigatória para os aviões que cruzavam o Atlântico.

Esta não foi a primeira incursão dos EUA nos Açores. Desde os fins do século XIX, quando o imperialismo norte-americano se assume em definitivo, depois das vitórias sobre os espanhóis em Cuba e nas Filipinas, que os EUA manifestaram interesse em ter uma base naval nos Açores chegando a concretizar-se esse interesse ainda durante a primeira guerra mundial com uma base naval da marinha dos EUA em S. Miguel.

Depois da saída dos ingleses da Terceira, os EUA ocuparam o aeródromo das Lajes. Desde esse dia 6 de Setembro de 1951, a Base das Lajes ficou hipotecada à estratégia dos EUA. A utilização da Base das Lajes assegurou uma certidão de bom comportamento para o Estado fascista e sua aceitação como membro de pleno direito da NATO.

As autoridades portuguesas sempre fizeram alarde das vantagens socioeconómicas da presença dos EUA nas Lajes, o que não passou e não passa de mais um salamaleque de servo integral, pois ninguém é capaz de se lembrar de quais são essas vantagens. Na renovação do acordo em 1979 (até 83) foram assegurados 80 milhões de dólares para a economia dos Açores e 60 para gastar em armas dos EUA, para a formação da Brigada NATO (blindada aerotransportada). O antigo Presidente do Governo Regional e ex-Presidente da AR Mota Amaral, fala em meio bilião de dólares de benefícios globais. Ele saberá do que fala. Ainda como compensação material pela utilização da Base das Lajes, Portugal tem direito (obrigação!) à aquisição de material obsoleto aos Estados Unidos.

Constituiu escândalo o caso da compra dos aviões caça/bombardeiro A-7 por determinação do então CEMFA, general Lemos Ferreira. A aquisição foi contestada por vários membros do Conselho da Revolução que sustentavam a sua opinião em informações que, para além da clara obsolescência dos aviões, asseguravam que os A7 caíam com alta frequência. Os conselheiros da revolução chegaram a questionar e a responsabilizar o General Lemos Ferreira quanto às possíveis mortes que poderiam ocorrer. Desses A-7 caíram num curto espaço de tempo cerca de uma dezena, sendo responsáveis pela morte de quase o mesmo número de jovens pilotos. Só os manuais de utilização dos A-7 custaram cerca de um milhão de contos!

Segundo o acordo de cooperação e defesa celebrado entre os EUA e Portugal, a utilização da Base para o trânsito de aviões militares norte-americanos decorre de compromissos no âmbito da NATO ou de missões internacionalmente homologadas. Basta um aviso prévio dos EUA, que normalmente não acontece ou acontece em cima da hora, ou é dito que aconteceu. A doutrina é clara: para que serve o aviso? Portugal concorda sempre.


A actualização do post já vai longa e mais haveria a dizer, por isso quem quiser saber mais acerca desta vergonha que é a presença dos EUA na Base das Lajes, pode clicar aqui , aqui e aqui.

3 comentários:

G disse...

É indecente esta situação!
Se fizessem uma coisa destas no país deles, ainda estavam no seu direito, apesar de ser discriminação, mas em Portugal, excluir os portugueses...
Nem sei como catalogar a situação!
E para o governo, quanto "toca" nos interresses economicos, nada é um problema.
Abraço!

Corduroy disse...

FDP... só me ocorre msm este palavrão para definir essa corja...

Fly disse...

g
desde sempre que os portugueses são excluidos da base das lajes e desde sempre que os sucessivos governos se dobram aos interesses americanos. As contrapartidas para Portugal com a presença dos EUA nos Açores são minimas é mais aquilo que perdemos do que o que ganhamos.


corduroy

Filhos De Puta mesmo.

abraço