domingo, 6 de maio de 2007

Marcha Global da Marijuana

Ontem aconteceu a Marcha Global da Marijuana, em mais de 200 cidades espalhadas pelo Mundo, que correu sem problemas de maior, exceptuando na Rússia, em que a manifestação foi proibida nas 13 cidades associadas a este evento, havendo, inclusive, espancamento por parte da policia russa aos cerca de 15 jovens que sairam à rua em Moscovo, com um pano a dizer "Pela Legalização da Marijuana".
aqui tinha falado na Marcha, por isso não me vou debruçar mais sobre este acontecimento, deixo o link para uma notícia que fala da Marcha em Portugal. Este post serve para mostrar uma parte do manifesto elaborado por COM.Maria (organizadores da marcha em Portugal) muito interessante que podem ler aqui e de onde retirei os números e reflexão seguintes:

• Mortes relacionadas com o tabagismo = 4,9 milhões de pessoas por ano.
• Mortes relacionadas com o alcoolismo = 1,8 milhões de pessoas por ano.
• Mortes por subalimentação = 3,4 milhões de crianças por ano.
• Mortes relacionadas com a obesidade = mais de 540 mil pessoas por ano, só na Europa e na América do Norte.
• Mortes por falta de condições sanitárias mínimas e consumo de águas poluídas = 1,7 milhões de pessoas por ano.
• Mortes por acidentes de viação = 1,26 milhões de pessoas no ano 2000.
• Civis Mortos na Guerra do Iraque desde o início do actual conflito até Março de 2007 = entre 58 476 e 64 273.
• Mortes relacionadas com o consumo de heroína = 7 516 casos de overdose em toda a Europa .
• Mortes relacionadas com o consumo de canábis = ...
Ninguém diz, ninguém sabe, e esta droga nem sequer aparece no capítulo “Doenças infecto-contagiosas e mortes relacionadas com o consumo de droga” do Relatório Anual 2006 da UE, pelo que se intui que não há casos registados ou que os que há são tão poucos que nem merecem referência.

E no entanto, não se proíbe as pessoas de beber o seu shot de bagaço nos cafés, ou de apanharem uma bebedeira numa noite de copos; não se proíbe a circulação dos automóveis, mesmo sabendo que estão a destruir o planeta e a prejudicar todos os seres que nele vivem; não se proíbem os McDonalds nem os alimentos fritos. Os políticos, tão preocupados com a saúde dos seus cidadãos, deixam-nos entregues ao mercado clandestino e desregulado, e toca a aumentar os impostos porque o buraco financeiro do Estado é cada vez maior.

A canábis usa-se há mais de dez mil anos para fins místicos, religiosos, recreativos, ou mesmo industriais.
Heródoto, 2 500 anos a.C, deixou registo escrito de que os Escitas inalavam o vapor e o fumo das sementes aquecidas para atingir estados alterados de consciência. É considerada uma planta sagrada pelos sadhus (ou homens santos) indianos – que se dedicam a praticar yoga e a meditar.
De uma só planta, a da Canábis Sativa L., é possível extrair mais de 25 mil produtos diferentes, desde fibras, óleos, sabão em pó e até combustíveis.

Quanto aos efeitos psicológicos que advêm do seu consumo e que desde há muitos anos servem de argumento aos detractores da canábis, o próprio IDT confessa “A existência de uma psicose cannábica crónica é
controversa e actualmente admite-se que só apareceria em indivíduos propensos a padecer de algum transtorno psicológico.”
No mesmo documento, o IDT conclui que “tendo em conta o elevado número de pessoas que consomem derivados da cannabis, são muito poucas as que procuram ajuda para deixar o consumo, facto que indica o seu escasso poder de dependência.”

Por esta lógica, a canábis é uma droga que, na verdade, não supõe grande ameaça. Mas enquanto a América do Norte, com as suas políticas repressivas, apresenta os maiores índices de consumo de canábis do planeta, a Holanda encontra-se a meio da tabela no que se refere ao consumo entre os jovens europeus.

Talvez o cerne da questão seja que não interessa deixar que os homens usem a canábis livremente, porque há quem ganhe muito dinheiro com produtos alternativos ou mesmo com a proibição.

Desde 2001, a lei portuguesa prevê que qualquer pessoa possa ter em sua posse, sem consequências jurídicas, óleo, resina ou “folhas e sumidades floridas ou frutificadas da planta” de canábis que “não poderão exceder a quantidade necessária para o consumo médio individual durante o período de 10 dias”.

Acontece que esta lei apenas finge uma falsa descriminalização do consumo, visto que esse “consumo médio” de que falam é impreciso e relativo, e a detenção de mais do que a quantidade mínima, ainda que comprovadamente e exclusivamente para "consumo individual", é um crime.
Além do mais, a maior parte dos consumidores muitas vezes prefere adquirir maiores quantidades para não ter de se preocupar com uma nova ida ao “dealer” durante o maior período de tempo possível.
Mas, pior que tudo, num paradoxo difícil de destrinçar, esta lei diz-nos que podemos consumir uma substância, mas que tanto o seu cultivo como a sua venda (e compra?) constituem crimes puníveis com prisão... e sendo que a venda não é legal mas o comércio existe, deixam poucas alternativas aos consumidores que, para se abastecerem, das duas uma: ou cultivam, ou terão de ir comprar no mercado clandestino, porque outro não há. Falando claramente, a isto chama-se empurrar os consumidores para os braços dos traficantes.

E se isto não é incitar ao crime, então, o que é?


ACTUALIZAÇÃO 09-05-2007

Por sugestão do COM.Maria, e para evitar mal entendidos , é importante esclarecer que a maior parte deste post foi retirado do manifesto feito por COM.Maria, embora eu inicialmente já tivesse o link para esse manifesto achei por bem alterar um pouco do meu texto anterior(substituindo a palavra estudo por manifesto), para não induzir em erro os mais incautos. Mais esclarecimentos nos comentários a este post.

11 comentários:

Teixeira disse...

Ahhh pois é!

[[]]

Bia disse...

È uma hipocrisia isso sim!! Se os governos arranjarem de meter ao bolso metade das receitas da venda de marijuana, passa já a ser legal, agora se não ganham nada com isso...não há nada para ninguém.

bjecas disse...

Já para não falar de um substancial aumento da qualidade da cena...

Bom artigo mano

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\m/

Fernando disse...

Parabéns pelo texto e parabéns pelo destaque do Público de hoje ao post.

Fly disse...

?????
fernando antes de mais agradeço pela visita e pelo comentário, acerca do Público, fico muito feliz por saber isso, vou tentar encontrar o jornal de ontem.

Obrigado a todos

COM.Maria disse...

Caro,

Este estudo que indicas não é senão o Manifesto da COM.Maria - Comissão Organizadora da Marcha Global da Marijuana Lisboa 2007 (documento que se abre ao clicar no teu link). Como podem ver nas notas de rodapé do nosso Manifesto relativas a essa lista, os números que publicamos foram retirados do "The World Health Report 2002" feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONG Iraq Body Count e do "11º Relatório Anual da União Europeia em Matéria de Drogas e Toxicodependência". O texto que se segue foi escrito por nós e não pertence a estudo nenhum, é apenas a nossa análise dos factos e as questões que colocamos ao Estado e a toda a sociedade perante esses mesmos factos.
Fica feito o esclarecimento.
Com os nossos melhores cumprimentos,
COM.Maria

Fly disse...

Agradeço o esclarecimento e a visita.
Como deves ter reparado eu não disse que o texto era meu, fiz a devida referencia e coloquei o link para o vosso manifesto embora por ignorancia o tenha chamado estudo, e tirei a parte que achei mais apropriada para o que queria.
De qualquer das formas deixo aqui um pedido de desculpas por se de alguma forma os lesei em algo , o que acho que não fiz até dei mais visibilidade ao assunto .Deixo também o meu obrigado e a minha solidariedade para com a vossa causa que também é minha e de todos nós.

abraço

COM.maria disse...

Sim, como pudemos constatar, o link estava correcto e remetia para o nosso Manifesto. Achamos só importante esclarecer que o texto não é retirado de nenhum estudo, porque, obviamente, um estudo não é a mesma coisa do que o manifesto de uma organização que defende abertamente uma causa. Embora nos tenhamos baseado em números publicados por instituições sérias e credíveis, os argumentos apresentados são nossos. Atrevemo-nos a sugerir que ponhas a fonte no fim do texto, para garantir que as pessoas não são induzidas em erro... Porque não é isso que nós pretendemos, pelo contrário. Achamos que a informação clara e rigorosa contribui para que os cidadãos possam decidir melhor sobre o que devem ou não fazer e o que devem ou não consumir. Só assim poderão ter verdadeiramente liberdade de escolha. E aqui está o cerne da questão: “liberdade de escolha”. Ninguém é obrigado a consumir seja o que for, mas dados os índices de consumo no mundo (que impreterivelmente aumentam de ano para ano) e estando provado que a canábis de qualidade e com níveis aceitáveis de THC (que poderia ser vendida legalmente) tem bastante menos “efeitos secundários” do que a grande maioria dos medicamentos que se vendem nas farmácias sem receita médica, observamos que o que acontece é que os Estados, com as suas políticas proibicionistas, OBRIGAM os cidadãos a recorrer aos traficantes e a consumir produtos que não têm qualquer garantia de qualidade e que, esses sim, podem ser muitíssimo perigosos para a saúde. Enfim...
Agradecemos muito o teu apoio e a divulgação que fizeste desta iniciativa organizada por nós, mas que se pretende que seja de todos e para todos os cidadãos que consideram que a canábis deve ser legalizada, e até mesmo para aqueles que não têm as ideias muito claras e, graças ao debate gerado pela celebração da Marcha em Lisboa e no Porto, vão pensar no assunto e formar a sua própria opinião. Se é a favor ou contra a legalização, não interessa. O mais importante é que seja uma opinião “sua” baseada em factos reais e não em preconceitos e em mitos infundados.
Nós, pela parte que nos toca, continuaremos a lutar por aquilo em que acreditamos e contra os fundos públicos (mal)gastos em políticas ineficazes e contra-producentes.

Bem-haja também por nos dares espaço para manifestar o nosso ponto de vista e o esclarecimento que consideramos pertinente.

Até mais,
COM.Maria

Fly disse...

Já fiz a devidas alterações, mais uma vez agradeço as sugestóes e o apoio manifestados e a compreensão demonstrada a este erro inadmissivel da minha parte.
Permitam-me manifestar também o meu apoio e a minha disponibilidade para transmitir alguns eventos futuros que porventura possam vir a fazer.

Um bem haja para o vosso Movimento.

abraço

COM.Maria disse...

Obrigado, Fly, pelo teu "fair play" e por te teres dado ao trabalho de publicar um novo "post" para esclarecer as eventuais dúvidas que ainda pudessem surgir.
Aproveito para informar que enviamos também um e-mail ao Público a dar conhecimento do erro, neste caso, deles, por não terem tido o cuidado de seguir o link que tu tinhas posto e através do qual teriam percebido que dito texto era um excerto do nosso Manifesto. Não pretendemos tirar-te qualquer mérito e já deu para perceber que és um bloguista sério e correcto mas, a bem da verdade, achamos que era importante informá-los. Contudo, como se costuma dizer, há males que vêm por bem, e se esta situação serviu para trazer mais leitores para o teu blogue, olha, ao menos isso!
Já agora, se ainda não subscreveste o Manifesto, poderás fazê-lo através do nosso site (www.mgmlisboa.org). Caso não queiras subscrever, pedia-te só que nos enviasses um mail com o teu contacto, para que possamos informar-te das futuras iniciativas que organizarmos. Se já subscreveste, então não precisas de fazer nada porque já estás na nossa lista.
E resta dizer que o nosso Movimento não seria nada sem aqueles que participaram na Marcha e que nos vão apoiando das mais variadas formas, e esses são vocês todos. Desde já, o nosso sincero agradecimento.

Desejamos-te o melhor e podes ter a certeza que, a partir de agora, seremos teus leitores frequentes.

Cumprimentos e até breve,
COM.Maria - Comissão Organizadora da Marcha Global da Marijuana Lisboa 2007

Fly disse...

Vi-me na obrigação de assinar o Manifesto. Assim sendo já tem o meu contacto para futuras iniciativas.

um abraço