terça-feira, 22 de maio de 2007

Cutty Sark a Arder

Eram 04.45 quando os bombeiros de Londres receberam uma chamada a alertar que o Cutty Sark estava a arder. O mais famoso veleiro usado no século XIX na Rota do Chá, entre a China e o Reino Unido, sofreu graves danos, que só não foram piores porque partes do navio-museu haviam sido retiradas no âmbito de um restauro de 25 milhões de libras.
A polícia britânica considerou "suspeito" o fogo numa das principais atracções turísticas de Londres.

Sobre o histórico veleiro agora destruído pelo fogo, destaca-o como um dos mais rápidos de sempre, capaz de atingir os 16 nós, ou seja, praticamente 30 km/hora, embora a média na longas viagens rondasse os 9. E refere ainda o facto de, no seu período de auge, entre 1870 e 1895, ter mantido uma cerrada competição nos mares com outro veleiro, o ‘Thermotilae’ que depois de servir como navio-escola ‘Pedro Nunes’ teve o que um marinheiro chama um fim digno ao ser afundado ao largo de Cascais, em 1907, durante um exercício de lançamento de torpedos, com a presença do rei D. Carlos.

'Cutty Sark’ e ‘Thermotylae’ competiram de 1870 a 1895 nas grandes rotas do chá, trazido da China, e da lã, que vinha da Austrália, e a sua prestação, segundo observa Malhão Pereira, chegou a discussão: se os veleiros não eram mais velozes do que os barcos a vapor. A história deu razão à máquina.

Em Portugal tiveram histórias diferentes: o ‘Cutty Sark’ serviu como transportador durante mais 30 anos até ser revendido para a Grã-Bretanha em 1923. O ‘Thermotylae’ está afundado desde 1907 na baía de Cascais. – J.V. l

O ‘Cutty Sark’ foi o último clipper do chá a ser construído (1869), mas passou de galera a barca quando veio para a Portugal em 1895 por trocar as suas habituais velas redondas pelas de tipo latino longitudinal. Após voltar, a Inglaterra retomou como navio-escola o velame tradicional.

1869
Saído em finais deste ano dos estaleiros de Dumbarton, na Escócia, o ‘Cutty Sark’ foi o último clipper (veleiro rápido) a ser construído. O seu nome inspira-se num poema de Robert Burns e cutty sark é uma camisa ou camisola curta com que a beleza de Nannie enfeitiçava.

1870-1877
Durante sete anos faz de viagens de comércio até Xangai, na China. Partiu de Londres, pela primeira vez em Fevereiro de 1870, sob comando do capitão George Moodie, carregado de vinho, cerveja e bebidas espirituosas. Vai pelo cabo da Boa Esperança e volta com chá.

1885-1895
Ao longo destes dez anos a sua rota apontou mais para sul. Na ligação Londres-Sydney leva produtos alimentares e volta carregado de lã. Os tempos de viagem são constantemente encurtados, devido às altas velocidades que atinge, na ordem dos 16 nós (30 km/h).

1895-1922
Comprado pela empresa portuguesa de transportes marítimos J. Ferreira & Companhia, muda de tipo de velas mas continua a bater recordes nas ligações de Lisboa com o Rio de Janeiro (36 dias), Luanda (31 dias) e Lourenço Marques (53 dias). Também vai a Nova Orleans.

1923
Depois de ser o ‘Ferreira’, é vendido a outro armador português que lhe dá o nome de ‘Maria do Amparo’, embora por causa do ‘Cutty Sark’ original as tripulações lhe chamem o ‘Pequena Camisola’. Acaba por ser vendido quando estava em reparação num estaleiro do Reino Unido.

1938
Adquirido inicialmente nas Surrey Cocks, de Londres, pelo capitão Wilfred Dowman, passa por diversos proprietários e chega a ser navio escola da Marinha britânica, mas o eclodir da Segunda Guerra Mundial, 1939-45, torna-o um excedente sem condição de navegar.

1954-1957
Recolhido em 1954 numa doca seca de Greenwich, especialmente construída para o efeito, é objecto de grande restauração e finalmente aberto ao público em 1957. Desde então somou mais de 13 milhões de visitantes. Actualmente estava fechado em obras de restauro.

53 DIAS NO MAR ATÉ MOÇAMBIQUE
A velocidade do ‘Cutty Sark’ bateu recordes nas ligações com África. Com bandeira portuguesa fez Lisboa-Lourenço Marques e até Luanda em 31.

DOIS NOMES NOS 28 ANOS LUSOS
Comprado em 1895 pela transportadora J. Ferreira & Companhia, o ‘Cutty Sark’ teve dois nomes. Primeiro foi o ‘Ferreira’ e em 1922/23 passou a ‘Maria do Amparo’.

O navio-escola ‘Sagres’, que continua a sulcar os oceanos levado pelas velas com a Cruz de Cristo, é um veleiro de geração muito mais recente do que o ‘Cutty Sark’. Tem menos 68 anos e foi construído nos estaleiros de Hamburgo, no Norte da Alemanha, em 1937, para a Marinha de Hitler, numa série de quatro, todos ainda a viajar. Os gémeos são os actuais ‘Eagle’, que pertence à Marinha dos Estados Unidos, ‘Tovarish’, da Ucrânia, e o ‘Mircea’, da Roménia. Muito mais antigo é o navio-escola, o ‘D. Fernando’, que data de 1843 e foi reconstruído para a Expo 98.

in Correio da Manhã

3 comentários:

Bia disse...

É pena ver algo com séculos de existência literalmente desfazer-se em cinzas...

Corduroy disse...

Era um barco muito elegante e bonito. É pena...

susane disse...

Me encanta lo que usted se pregunta cómo no se me olvida tu blog.

Consultation voyance gratuite