quinta-feira, 26 de abril de 2007

A militarização da neurociência

Não tenho por hábito fazer plágio , mas este artigo que encontrei no resistir.info merece que eu o copie , pelo menos em parte.

O artigo fala da neurociência e dos apoios que o Pentágono está a dar para desenvolver novas armas e novos soldados. Segundo o fascinante e assustador novo livro de Jonathan Moreno, Mind Wars: Brain Research and National Defense , a Agência para Projectos de Investigação em Defesa Avançada tem financiado investigação nas seguintes áreas:

  • Interfaces cérebro-máquina ("próteses neuronais") que permitirão aos pilotos e soldados controlar armas tecnologicamente avançadas apenas com o pensamento.
  • "Robôs vivos" cujo movimento pode ser controlado através de implantes cerebrais. Esta tecnologia já foi testada com sucesso em "ratos-robô" e poderá levar a animais controlados remotamente para detecção de minas ou até a soldados controlados remotamente.
  • "Capacetes de retorno cognitivo" que permitem a monitorização remota do estado mental dos soldados.
  • Tecnologias de imagens por ressonância magnética ("impressões digitais cerebrais") para usar em interrogatórios ou em detecção (screening) de terroristas nos aeroportos. Bastante distante das questões sobre as suas taxas de erro, tais tecnologias levantariam a questão da possível violação da Quinta Emenda, contra a auto-incriminação.
  • Armas de vibração ou outros neuro-perturbadores que provocam a confusão nos processos de pensamento dos soldados inimigos.
  • "Neuro-armas" que usam agentes biológicos para excitar a libertação de neurotoxinas (a Convenção das Armas Biológicas e de Toxinas bane a acumulação destas armas para propósitos ofensivos, mas não para investigação "defensiva" dos seus mecanismos de acção).
  • Novas drogas que possibilitem aos soldados deixar de dormir durante dias, a apagar as memórias traumáticas, a suprimir o medo ou a reprimir as inibições psicológicas contra o homicídio.

Os líderes militares e científicos que pagam as "neuro-armas" argumentarão que os EUA são o único país nobre a quem poderão ser confiadas tais tecnologias, enquanto outros países (excepto alguns aliados) não terão esse direito. Vão também argumentar que estas tecnologias salvarão vidas e que o engenho dos EUA irá permitir dominar outros países na corrida às "neuro-armas". Quando for tarde demais para voltar atrás, irão declarar surpresa pelo facto de outros países se terem actualizado tão depressa e por uma iniciativa que deveria assegurar o domínio americano, ter ao invés levado a um mundo onde toda a gente esteja ameaçada pelos soldados químicos e o "robô-terrorismo" saído do Blade Runner( podem ver o trailer deste filme aqui).

Enquanto isso, cientistas individuais dirão a si próprios que se eles não fizerem esta investigação outros a farão. O financiamento da investigação será suficientemente dominado por aqueles que concedem as autorizações militares, o que provocará que alguns cientistas tenham de escolher entre aceitar o financiamento militar ou desistir da sua escolha de campo de investigação. E o muito real uso dual destas novas tecnologias (o mesmo implante cerebral pode criar um soldado robô ou reabilitar um doente que sofra de Parkinson) irá permitir aos cientistas dizerem a si próprios que estão "realmente" a trabalhar em tecnologias da saúde para melhorar o destino humano e que o financiamento só por acaso vem do Pentágono.

Infelizmente, no entanto, Moreno (p.163) cita Michael Moodie, um antigo director do Instituto de Controlo de Armas Químicas e Biológicas, quando este diz "As atitudes dos que trabalham nas ciências da vida contrastam fortemente com as da comunidade nuclear. Físicos, desde o início da era nuclear, incluindo Albert Einstein, compreenderam os perigos da energia atómica e a necessidade de participar activamente na gestão destes riscos. Os sectores das ciências da vida estão a atrasar-se a este respeito. Muitos menosprezam a reflexão sobre o risco potencial do seu trabalho".

Isto deixou-me mesmo a pensar no que ainda está para vir, dos neocon espera-se tudo , desde que seja para fazer guerra....

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