O texto que se segue já o tinha lido num blog qualquer, mas depois perdi-lhe o rasto e não tive hipótese de postá-lo. Mas hoje fui encontrá-lo no blog Mentira! e como não podia deixar de ser vou colocá-lo aqui para que mais pessoas vejam aquilo que a corja anda a fazer.
Transcrição de uma carta enviada aos jornais, por um leitor identificado, e que não foi publicada.
Portugueses pagam combustíveis em dólares ou em euros?
Finalmente, ao 14.º aumento dos combustíveis em 2008 (em 122 dias, um em cada nove dias!) alguém começou a reagir. Desde os revendedores até ao ministro da Economia, passando por toda a comunicação social, com relevo para as televisões.
Mas, em meu entender, raros foram os que tocaram no âmago da questão. Que reside, muito simplesmente nisto: os portugueses pagam os combustíveis em euros - e não em dólares.
Por isso, estamos a ser duplamente penalizados: primeiro pelo aumento do custo do petróleo (que é negociado em dólares); e depois pela valorização do Euro. Um exemplo: em 2002, o barril de petróleo custava 63 dólares (USD), equivalente então a 70 € (1.00 € = 0.90 USD) e o litro de gasóleo custou-me (na bomba, no dia 3 de Março de 2002) 0,648 €.
Recentemente, no dia 3 de Março de 2008, o barril custava 100 USD, ou seja, agora, 66,6 €. Então porque é que paguei na bomba 1,234 € - praticamente o dobro de 2002?
Por isso, será importante centrar a discussão no câmbio das moedas e não noutros quaisquer parâmetros que, como é óbvio, não justificam tal evolução.
Diz-se que uma das razões do aumento do preço do petróleo é a desvalorização do dólar. Que culpa têm os Portugueses disso, se estão a pagar em moeda forte, neste caso o Euro?
Há que denunciar as gasolineiras pelo aproveitamento da situação, se é que não foram elas que a provocaram. E também que censurar o Governo, que se está a aproveitar de tudo isto para aumentar as suas receitas - e até teve a ousadia de alterar a fórmula de cálculo.
E porque é que o Presidente da República, que se mantém estranhamente calado?
Espero que a Comunicação Social não cale a profunda indignação que começa a grassar, a avaliar pelos mails trocados nas últimas semanas."
Alberto RS (identificação completa omitida)